it's me.
Era uma vez, uma menina, uma menina como todas as outras, tão igual e ao mesmo tempo tão diferente. Uma menina indefesa, meiga, delicada. Cresceu e viu tudo aquilo em que acreditava a desaparecer, viu promessas a quebraram-se, laços a desfazerem-se, viu o que era tudo para ela a tornar-se em nada.Refugiava-se nos amigos, fazia da amizade o porto de abrigo. No decorrer dos anos enfrentou diversos problemas e quando mais precisou viu as pessoas em quem mais confiava a irem-se embora.
O tempo foi passando e ela sentia-se só. Isolou-se de tudo e todos, fez as piores barbaridades. Não deixava que ninguém se aproximasse, vivia revoltada com tudo, irritava-se facilmente e era a dona da razão. Encontrou o seu bem estar na auto-mutilação, baixou a camisola e torturou o seu corpo com cortes sucessivos, o sangue salpicava. Sentiu-se bem consigo própria, descarregou nela tudo o que sentia, passou para o exterior a dor que sentia interiormente. Tornou-se um habito, sempre que estivesse magoada automotilava-se, ficava com a sensação de alivio. Pegava na lamina, chorava ao mesmo tempo que se cortava, sentia os cortes, sentia a profundidade deles mas não sentia dor. Tentava ao máximo esconder a sua fraqueza de todos. Era cada vez mais irreversível fazer-lá parar.
Numa manhã, a pessoa que lhe deu a vida, a pessoa que ela mais amava deparou-se com todas aqueles cortes, ficou perplexa e as lágrimas caiam pelo rosto, foram momentos de silencio desbastadores. Ficou prometido naquele exato momento que não se iria voltar a repetir. A menina tentou, lutou com todas as suas forças mas não conseguiu evitar. Voltou a errar, quebrou a promessa a pessoa mais importante da sua vida. Sentiu-se inútil por ter desiludido a mulher da sua vida, nada poderia apagar a dor que sentia. Desta vez contou-lhe, mostrou-lhe todos os ferimentos que tinha, sentiu que depois de tudo lhe devia isso. A mulher da sua vida entendeu-a e por momento algum a julgou, deu-lhe amor, transmitiu-lhe positivismo e ficou do seu lado, agarrou-a e ajudou-a. Ela que tinha todos os motivos para ficar furiosa mas mostrou o quão o seu amor era verdadeiro e pela primeira vez a menina sentiu-se importante, sentiu-se amada.
Custou, demorou mas ela conseguiu erguer-se novamente. Quando por momentos pensou que não tinha nada nem ninguém, apareceu alguém que lhe deu todos os motivos para sorrir. Viu na pessoa que lhe deu vida não só uma mãe mas sim uma amiga, uma melhor amiga. Hoje, com 15 anos a menina entende que se não parar, vai perder todo o controlo da situação. Hoje ela só lamenta a dor causada, hoje ela só quer pedir desculpa a pessoa mais importante da sua vida.
