too late.
o sol já se levantou, sento-me junto a janela que se embaciou com o bafo da minha respiração, os raios de luz batem no meu ombro, mas o meu corpo continua a tremer com frio. levanto-me e arrasto os meus pés até a cama, o telemóvel treme, descerrei os olhos devagarinho, respirei fundo e pensei na possibilidade de seres tu. abri e a verdade é que eras, li uma centena de vezes a mesma mensagem, não sei se sorrio por te quereres presenciar ou se choro por não te conseguir manter afastado. baixo a cabeça e peço para que me sejam dadas as forças que sei que irei precisar. milhares de duvidas aparecem, o meu coração grita ''responde'' por outro lado a minha mente persistente, chama-me a razão vezes sem conta ''não respondas'' deito a cabeça na almofada, na expectativa de encontrar as respostas que preciso, acontece exatamente o oposto daquilo que imaginei, oiço a tua voz dentro da minha cabeça, vejo os teus olhos diante dos meus, sinto os teus dedos entrelaçados aos meus. voltei-me de um lado para o outro, evito relembrar todos os momentos, pego no telemóvel, e apago a tua mensagem. tem horas que isto torna-se insuportável, horas que eu fecho os olhos e só quero recuar no tempo, estou impossibilitada de o fazer, tenho de seguir um caminho contrario ao teu. palavras duras, silêncios torturantes, magoas vem ao de cima, emerjo e avanço totalmente, vou viver devagar, vou cair inúmeras vezes, a saudade vai bater a porta constantemente, tenho de ser sólida e dar continuação a minha palavra.
já é tarde para dizeres o quanto gostas de mim.
