5 de setembro de 2013


encontra-nos. 

escrevo aqui tudo o que não tenho coragem de dizer. todos os meus medos, as minhas preocupações, as minhas inseguranças, está tudo exposto aqui. não tenho nada cá dentro, as lágrimas secaram, o meu lado frio veio ao de cima, não quero acabar por ser uma daquelas pessoas frias e insensíveis. é cada vez mais árduo lidar com tudo, tenho o mundo as costas, uma multidão de pessoas a meu lado e continuo a sentir-me sozinha. resta-me pouca esperança, diria mesmo quase nenhuma, o tempo escasseia-se por entre os dedos e eu deixo-o ir, talvez leve consigo tudo o que me atormenta, talvez me traga de volta a vida. já não me vejo a mim própria, por vezes, eu não sou eu. o vazio serve-me perfeitamente, sinto-me mais fria que as chuvas torrenciais. mais perdida que as folhas de outono. mais cinzenta que as noites de inverno. não tenho respostas, o meu mundo está prestes a desabar, mas impossibilitado de ruir, a tua presença mesmo que distante, protege o meu mundo de tempestades e inundações. o sentimento que nos une tem as medidas certas, tem raízes e bases. estamos afastados, mas estamos lado a lado, a correr contra a gravidade da nossa separação, somos fortes o suficiente para não conseguirem nos derrubar, e mesmo se não formos, o que nos liga vai zelar por nós. o que tínhamos muda tudo ou não muda nada.
fico em silêncio, é a melhor forma que encontro de me ouvir a mim própria. será que só sobrou um coração vazio e frio? é triste pensar assim. pergunto-me inúmeras vezes se isto é uma farsa, penso que se fechar os olhos, quando abrir tudo vai ficar bem. o que mais temo é continuar a achá-lo durante meses e meses, e nunca conseguir encontrar-me, depois de perder tantos pedaços de mim durante este caminho. quero admitir-te que estou deprimida, mas isto é tão fraco de se dizer, faz-me parecer derrotada, sem forças. queria tanto pedir-te para voltares ao que eras, queria tanto confessar que preciso de ti, e mais a cada minuto que passa. estou cansada de sentir a tua falta. perdi um pouco o sentido à vida, porque tu davas sentido a tudo desde o meu respirar ao meu pensamento. não me comandavas nem fazias com que eu quisesse respirar, mas davas-me força pelo menos a tentar fazê-lo por mim. agora sinto que sem ti não tenho força. sinto que já nem nos ouvimos, já não nos decoramos, já não nos cuidamos. estás distante mas ainda te consigo sentir, chama-me sonhadora, mas ainda resta esperança dentro de mim, que tipo de pessoa seria eu se não acreditasse em nós? o céu está pintado de mil cores, e eu ainda acredito em nós. só não deixo de pensar que isto pode não passar, pode durar dias e dias e eu encontro-me num beco sem saída, não consigo mover-me só de esperança, sinto o coração a bater mais devagar, sinto-o a congelar. encontra-me meu amor.
encontra-me.