não sei porque, muita coisa aconteceu depois da nossa despedida, se assim o posso chamar. contudo, fazes-me falta. tenho saudades das tuas palavras que me faziam sentir segura. tenho saudades do carinho e amor que todos os dias recebia com um sorriso na cara. tenho saudades de te poder abraçar sem pedir. sinto a tua falta. ao mesmo tempo que fecho os olhos, para não conseguir ver que já não estás aqui, sinto cada osso do meu corpo partir. cada gota do meu sangue parar um bocadinho mais. sinto a tua falta. ao mesmo tempo que tento não me aperceber que já não dormes a meu lado, e, o meu corpo esfria. as minhas mãos ficam vazias. arrepiadas por saberem que já não existe o gesso que as emoldurava, o remédio que as curava. o calor que as enchia de fogo e as levava onde o resto do mundo não era capaz. ao mesmo tempo em que cubro os meus lábios, para não sentir que o que é teu já não é meu, sinto-os a desfazer-se a cada vez que descobrem, o que é não existir por ti. o que é viver sem ti. ao mesmo tempo que me tento fechar para não descobrir, mais uma vez, que nunca mais serás tu a adormecer os meus sonhos, sinto que de tudo o que sou, sobra-me o que fui contigo. os pedaços de memória que me engolem a vida por gostar tanto de ti. se soubesses a falta que me fazes. a saudade que aqui deixaste. fecho os olhos, o corpo, os lábios, as mãos, a alma. fecho aquilo que consigo na esperança de fechar a única coisa que ainda me resta de ti: a saudade. a saudade de te ver olhar para dentro de mim. a saudade de te ver ser comigo aquilo que só os meus olhos tinham coragem de ser. dói quando tudo é apenas saudade. deixar-te ir embora ou deixar-te voltar? eis a questão.
