darkness.
não sei bem por onde começar, não sei exatamente o que escrever, sinto um cansaço total sobre o meu corpo, sinto-me estranha, olho-me ao espelho e já não vejo a mesma pessoa. a medida que o tempo avança eu vou desistindo de mim, vou fracassando e já não encontro mais fé possível para a vida quanto mais para a felicidade. desisti de quem era pelo que me fizeram, culpo-me por ser deste jeito, acabo de sentir a solidão a abraçar-me, e assim me deixo apagar, fracassar.
estou aqui sentada, é cedo, não dormi, estou com lágrimas nos olhos, estou com sono, o medo, a frustração, o sentimento de revolta não me deixa dormir, os pesadelos vieram para me assombrar e tirar-me o resto da paz que tinha. por trás de mim encontra-se muita tristeza, e ninguém tem noção do quanto dói lembrar, do quanto dói saber que certas feridas nunca vão cicatrizar, é assim que me sinto sem chão, sem ninguém, abandonada, isolada, não que não tenha ninguém, mas sim porque a isolação tornou-se a minha rotina.aqui vou ficar, solitária, no chão do meu quarto, a olhar pela janela, a ver tudo a acontecer, a vida agora tem telhados de vidro, os meus lábios perdem mobilidade e o meu coração se esfria, perdi a decência e aqui estou entre paredes mórbidas de uma noite mal dormida. nunca nada me pareceu tão triste como agora, nem as minhas lágrimas. ter a certeza como a dor é a sensação mais horrível da vida, e saber que, amanhã, tudo será igual, faz-me sentir descontroladamente vencível, vencível pela dor, pela magoa, pela tristeza. a raiva e a mágoa expressam-se sob água que caí pelo meu rosto, saber que para o resto da minha vida, psicologicamente, vou sempre voltar a reviver aquele momento, o pior momento da minha vida, tentei ser forte, lutei contra o que estava a acontecer, as forças faltavam, e agora que tudo está mais nítido o ódio de mim aparece, ódio de ter sido frágil naquele preciso momento. não consigo, ainda não consigo descrever tudo aquilo que estou a sentir. é um amontoar de emoções cá dentro que me deixam sem explicação, tento encontrar-me e perco-me ainda mais.
morri por dentro e ninguém percebeu.
