9 de novembro de 2013
e hoje, sou apenas um barco perdido no mar, uma pessoa perdida no meio da multidão, sou apenas mais uma pessoa que sobrevive no meio de tantas outras, sou mais uma pedra desta longa calçada, mais uma estrela que perdeu o brilho, sou apenas mais um ser à procura da felicidade, sou apenas mais um vazio que é preenchido pela dor. sou apenas um barco furado, um dia sem sol, uma noite sem lua, sou apenas um mar sem ondas, uma árvore sem folhas, uma primavera sem flores. sou o vazio, o aroma a nostalgia, o sentimento a tristeza, sou a fraqueza, a lágrima, o grito da revolta. sou a solidão, a natureza morta, o rio sem água, o pássaro sem asas, sou o animal indefeso, incapaz de se erguer e olhar o horizonte. sou um coração destroçado, uma alma sem significado, sou a melancolia, o penoso caminho que percorri, sou o sangue derramado numa batalha perdida, a mágoa e o sabor a derrota. sou a fraqueza, a humilhação, a derrota. sou apenas mais um ser vagueando por este mundo que nada parece ter para oferecer. ando por andar, respiro porque é algo involuntário, sorriu para esconder a dor, a nostalgia que no meu interior é dominante. é em dias como estes que eu não me reconheço, que procuro dentro de mim a pessoa forte e sorridente que todos julgam que sou, mas a realidade é bem diferente, eu já não sou mais essa pessoa forte, já não consigo, em muitos momentos, esconder a dor que sinto, a tristeza que a minha vida é atrás de um sorriso. a sensação que tenho é que tudo voltou ao nada, as palavras doces secaram, o olhar meigo está preso no horizonte, eu já não sei contar historias mágicas. e hoje, abri o livro que estava debaixo dos lençóis e gotejei carradas de emoções desanexas nele. bati no fundo, confesso, foi como se o mundo estivesse derrubado a meus pés pelas piores razões. espero encontrar-me em breve, espero reconhecer, futuramente, o que hoje sou incapaz de reconhecer, espero também viver o que neste momento estou a perder. espero encontrar saída do labirinto, onde estou perdida.
