6 de dezembro de 2013
Costuma-se dizer que o amor e o que é verdadeiro permanece sempre, sem ir nem voltar. Mas tu vais e voltas sempre. Será por isso que és um amor menos verdadeiro ? Ou será por isso que és mais verdadeiro que todo o resto, capaz de viver qualquer coisa, suportar tudo, refugiares-te quando necessitas, mas permaneceres sempre comigo ? Serás tu a diferença que tem estado em falta na minha vida ? Serás tu o único encaixe do meu coração, diferente de todas outras peças falsas que por aí andam, capaz de me completar por completo? Afinal de contas, foste o meu primeiro grande amor, e a verdade é que eu já te perdi e já te encontrei mas já te esqueci e também perdoei. A verdade é que tu eras parte do meu passado, uma parte bonita e neste momento, és parte do meu presente. Outrora eu amei-te. amei pela primeira vez, e fiz de ti perfeito. Porque afinal de contas, eras feito para mim: o meu corpo encaixava no teu como que peças de um puzzle perfeito. A tua mão fechava-se em torno da minha de uma forma tão natural que pareciam as mesmas, e o meu sorriso era despoletado pelo simples facto de ver o teu. Éramos assim: duas metades, duas faces da mesma moeda. Feitos um para o outro, como jurávamos a pés juntos, há tantos anos. Tu combinavas comigo. Eras a sorte grande e eu a terminação. Dias frios combinavam connosco abraçados, dentro de uma cama a ver um filme qualquer. Dias de calor combinavam connosco numa saída sem destino. O teu cheiro assentava-me bem, assim como as tuas mãos pareciam peças de um puzzle perfeito para as minhas. Sabes, eu sentia-me tão bem. Tão segura. Não tinha medos. Não contigo. E era talvez disso mesmo que eu precisava: dessa sensação de que era de alguém. de que pertencia a alguém. dessa tua maneira, desse teu jeito que me fazia sempre rir para o vento, abrir os braços para o sol ou virar a cara para a chuva. Desculpa. Desculpa mas eu ainda preciso de paredes e de armaduras. Preciso de muros, de guardas, de coletes, de espinhos e de labirintos. E depois preciso de ti. Preciso de ti para pôr à prova tudo isto. Preciso de ti para me manter inteira. Para estar segura. Tu sabes. Sabes que fui magoada. Sabes o porquê de tantos medos. Sabes o motivo de todas as inseguranças. Um dia, eu amei-te. Amei-te de todo o coração. Um amor, desses quase infantis, sabes ? Mas no entanto, amor. Tu eras o meu mundo. E eu virei costas a tanta gente e calei tanto por ti. Respirei e vivi no meio de tanto amor. E tu ? Bem, tu deixaste-me. Assim, do nada. Sem motivo, sem hora marcada. Apenas foste. Sem adeus, sem carta de despedida. Levantei muros e construí paredes. Vesti-te um colete à prova de sentimentos. Aprendi a corrida do toca e foge. Foi o que tu fizeste comigo: tocaste-me onde mais ninguém tinha alguma vez chegado e eu dei-te o que de mais precioso tinha: o meu coração. E passado tanto tempo chegas tu. Chegas de mansinho, em pés de lã, chegas e lutas por aquilo que um dia foi teu. E apesar de tudo, no fundo, eu acredito em ti.
