Porquê raio temos de intitular todas as coisas? Porquê tem de haver um passado, um presente e um futuro? Porquê é que as pessoas entram nas nossas vidas se depois acabam por nós deixar? Porquê é que tem de haver sempre alguém para estragar a nossa felicidade? Hoje, igualmente a todos os outros dias de há uns tempos para trás, estas são as duvidas que pairam pela minha cabeça. É difícil para mim perceber porque é que somos magoados e também magoamos as pessoas que gostamos. Quando gostamos de alguém não é suposto querer ver essa pessoa feliz? Então qual é o sentido do amor e da amizade se sempre acabamos por magoar alguém? Será que há sentido? Ou será que o sentido é mesmo esse, magoarmos e sermos magoados? Será que ser feliz implica também ser triste ao mesmo tempo? Mil e uma dúvidas na minha cabeça e apenas uma certeza, tentarmos entender os nossos sentimentos é a coisa mais difícil de sempre.
Ultimamente tenho levado a vida de uma forma que eu própria desconhecia ser possível, como dizem a música é a cura para todas as dores e então foi exatamente isso que fiz, procurei a música mais nostálgica e com mais significado, isolei-me no meu quarto e deixei os meus pensamentos fluírem com a música. Cada trecho descrevia na perfeição o que eu sentia e foi nesse exato momento que as minhas memorias começaram a voltar. O meu passado voltou a estar presente. O meu maior medo naquele momento tornou-se a minha maior força. Permiti-me fazer o que há muito tinha evitado. Revivi momentos. Recordei pessoas e voltei a ter sentimentos que já não faziam parte de mim, sentimentos por pessoas que já não fazem sequer parte da minha vida. A música parou e as memorias com ela morreram.
Porquê é que quando uma perdemos uma pessoa senti-mo-nos obrigados a esquece-la? Porquê é que evitamos lembrar-nos de todos os momentos bons? Porquê apagamos todos os sorrisos que a pessoa nos proporcionou? Não seria mais fácil guardarmos uma boa recordação e usufruímos dela sempre que quisermos? A verdade é que o passado vai estar sempre presente. Podemos esquecer-mo-nos dele durante um dia, uma semana, um mês, contudo, vai sempre haver algo para nos fazer lembrar dele. Talvez uma data. Uma música. Um lugar. Ou talvez a nosso própria mente queira lembrar-nos apenas por lembrar.
Esquecer alguém é como permitir-mos que nos sejam tiradas recordações. É apagar sorrisos, expressões faciais, momentos, sentimentos. É apagarmos uma parte de nós só porque estamos magoados. E se um dia essa mágoa passar e não conseguirmos recuperar as memórias do passado ? Quem é que vamos culpar sem sermos apenas nós?
Talvez o passado não seja uma coisa má e nós nem nos tenhamos dado conta. Talvez.