11 de novembro de 2013

carta de despedida. 
talvez esta seja a primeira, a única, e a ultima carta que te escrevo. talvez faça-a grande e diga tudo o que está preso na minha mente ou talvez faça-a pequena e corra o risco de deixar coisas por dizer. no fundo, eu posso vir a sentir muito a tua falta, posso perder-me varias vezes e demorar para esquecer tudo aquilo que um dia fomos. mas de facto, tudo aquilo que existia entre nós morreu. e quanto mais a chuva cai e o frio aperta, mais os meus restantes sentimentos por ti congelam e a minha indiferença cresce. porque agora estamos sozinhos. deixamos palavras trancadas e lágrimas escondidas. o que fomos é esquecido e nunca mais voltará. e é assim que iremos viver, na ilusão que tudo foi esquecido e levado pelo vento. morremos e tudo o que construímos vai morrendo aos poucos, porque já nem as tuas palavras antes de dormir eu quero ouvir. não te quero seguir, nem te quero perceber. porque tu fazes-me sentir a maior estúpida à face da terra, estúpida ao ponto de acreditar em ti. sabes, neste momento as nossas musicas, aquelas que tanto significado tinham estão a tocar. involuntariamente, recordam-me de tudo o que tínhamos e éramos. fazem-me olhar para trás, porém, eu ainda consigo ver-te, ainda consigo sentir-te. estamos tão longe, que esse longe, por vezes, torna-se perto. todos os passeios a meio da noite. todas as despedidas seladas com um beijo. todas as danças. todos as respirações coladas ao ouvido. todos os sorrisos. todos os abraços. todas as lágrimas. todos estes momentos estão agora a ser recordados, vividos, se assim preferires. o que me faz pensar como seria se tudo fosse formatado ao que somos agora. é dar um passo em frente e recuar três. é depositar confiança e esperança em algo que já não faz mais sentido. está difícil. alias, escrever para ti nunca foi fácil, sendo que não existem palavras capazes de exprimir aquilo que neste momento existe dentro de mim. mas mesmo assim não é impossível. novamente uma lágrima escorre pelo meu rosto e dela seguem-se outras imensas. tenho os lábios amargos devido a este choro que se tornou constante. as minhas madrugadas tornaram-se momentos perfeitos para pensar em nós e recordar aquilo que acabou. estar sozinha é mais doloroso, mas assim ninguém julga. ninguém dá opiniões. estou ali apenas eu e a nossa música que soa em modo repeat no meu telemóvel. sabes, eu confesso, eu tenho saudades tuas. no fundo, parte de mim quer te procurar, agarrar, e agarrar com toda a minha força e não deixar que acabemos assim. mas quantas vezes já estivemos juntos? e dessas vezes, como é que acabámos sempre? creio que não seja preciso referir isso. magoar-nos mais para que ? é isso que fazemos, é isso que me fazes. desilusões, atrás de desilusões. só o que tu não sabes é que escrever para ti tornou-se monótono. as palavras tornaram-se erros atrás de erros, onde colo sorrisos por cima para não parecer tão mal. onde a minha mente paralisa cada vez que tenho vontade de te escrever. porque talvez tenhas sido tu a acabar com a minha inspiração diária. e o que tu não sabes é que as feridas que me abriste, são daquelas que nem o que sinto por ti consegue sarar. por isso eu, só quero-me esquecer de ti.