De rosto lavado em lágrimas, e as mãos dormentes, aqui, encontro-me a escrever de novo. Ao longo destes largos meses que passaram, percebi que só sinto a necessidade de escrever quando estou em apuros. E questiono-me, vezes sem conta, se escrever faz-me tão bem, porque só encontro a inspiração nestes momentos ? varias dúvidas se formam na minha cabeça, e o vento, amigo de todas as dores, resolve levar as respostas com ele, e por sinal para bem longe. Quanto mais tento fazer as coisas certo, mais as coisas saem erradas e volta tudo à estaca zero. A música melancólica já está a tocar, a minha cabeça balança em sinal de cansaço e as forças que tinha, simplesmente desapareceram. O nó na garganta é tão grande, que já não sei até quando vou aguentar tê-lo. As lágrimas tendem a formar-se nos meus olhos e eu esforço-me para não as deixar cair. Mas hoje .. hoje foi a gota de água para que não aguentasse mais. Estou uma lástima e não sei se consegues ver isso. Não sei se consegues ver que quando digo o que penso é para aproximar-te de mim. Não sei se tens noção que a razão das minhas dores são todas as tuas mudanças constantes. Não sei o que estás a pensar neste momento, e o teu silencio, está a destruir-me. Será que estamos a mudar, mais uma vez ? Ou será que sempre que tentamos mudar, voltamos ao mesmo? As duvidas hoje são maiores que a nossa cumplicidade, e se prometeste tanto não percebo porque estás a magoar-me outra vez.
